No livro “Variações sobre o prazer” de Rubem Alves, ele classifica as coisas ao nosso redor colocando-as em duas feiras. A feira da utilidade e a feira da fruição.
Na feira da utilidade está tudo que você tem ao seu dispor e que será usado para alcançar um fim. Exemplo: Uma faca pertence à feira da utilidade, pois ela não tem um fim em si mesmo, serve para cortar alguma coisa, você a usa para outro propósito que não é ela mesma. Na feira da fruição está, por exemplo, a laranja. Chupamos a laranja por ela mesma e não a usamos para chegarmos a outro fim.
Diante desta colocação estive pensando como o mundo moderno (que nós mesmos criamos) nos influência a colocar D-us como uma coisa e pior o classificamos como um objeto exposto na feira da utilidade, senão vejamos:
Hoje D-us é sinônimo de bens materiais, um caminho para aquisição de status social, status religioso, um caminho para sucesso empresarial, um lugar onde os meus desejos são realizados, um balcão onde a qualquer hora estendo a mão e tomo aquilo que me parece necessário para ser feliz. Como efeito colateral disto olhamos para as pessoas ao nosso redor como objetos úteis para um propósito pessoal. Nosso conjugue nos serve para a nossa felicidade, nos aproximamos de pessoas e nos tornamos seus amigos para alcançarmos algo que queremos através dessas pessoas, a religião é uma porta usada para nos sentirmos bem sem nenhuma implicação que nos faça repensar nosso modo de vida, nossos conceitos e princípios.
Pois é caro navegante, D-us não é útil. D-us é o fim, ou melhor, o objetivo de todo ser humano. Não podemos usá-lo para chegar a um lugar, pois Ele é este lugar onde devemos chegar. D-us é a razão de viver, nos movermos, criarmos, é o objetivo final de todos nós. Nele está a alegria e sentido que nada nem ninguém pode nos dar além Dele mesmo. Tudo que existe, criamos, fazemos e adquirimos sem o reconhecimento que existe através dEle se torna vazio, a nossa alma precisa de sentido e transcendência e não há nada no universo que nos proporcione isto a não ser a presença Divina. Quero que você perceba que até aqui não falei de religião, pois não é ela o fim.
Foi esta a conclusão que Salomão depois de experimentar de tudo que a vida podia oferecer chegou. Tudo é vaidade. A vaidade reside no fato de que buscamos no mundo aquilo que só a presença Divina pode preencher. Se D-us for nosso objetivo tudo mais fará sentido.
Talvez você me pergunte. Mas D-us é infinito, como posso compreendê-lo e vivenciar a sua presença? E eu lhe respondo: Olhe para o Messias Yeshua e pergunte a Ele, Ele saberá lhe guiar e responder as suas questões e ansiedades.
D-us abençoe e um grande abraço,
Ezra Oliveira
Um comentário:
É uma pena, caro amigo, que vejamos não apenas pessoas, mas denominações que colocam D-us não apenas na feira das utilidades, mas o façam descer ao ponto da futilidade, buscando-o para conseguir seus próprios desejos apenas.
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