segunda-feira, 6 de maio de 2013

TERRA E DIGNIDADE



Vivemos uma época sem precedente na história da humanidade. Somos movidos, identificados, classificados e por fim, escravizados pelo consumo. É claro que esta é uma escravidão travestida de uma pseudo-liberdade. Como afirmou o sociólogo polonês Zygmunt Bauman "tudo numa sociedade de consumo é uma questão de escolha, exceto a compulsão da escolha".

Uma das grandes vítimas dessa sociedade pós-moderna movida ao consumo é o nosso planeta. A bolota azul que ganhamos ao sermos criados, na realidade não nos pertence. O salmo 24 deixa claro quem é o dono quando diz: “Do Senhor é a terra, a sua plenitude, o mundo e os que nela habitam”. Se você notou com atenção, nem você se pertence. Mas então pra que D-us deu a terra ao ser humano? Moradia, sustento, segurança, enfim, dignidade. Dela retiramos tudo que necessitamos, e não só alimento, mas, praticamente tudo que possuímos é extraído da terra.

Agora vamos fazer um pequeno passeio histórico pela relação do homem com a natureza e seu uso para sustento.

Até meados do século XVIII não existia o fenômeno de produção em massa, logo a exploração da natureza não era tão agressiva e mantinha-se certo equilíbrio na relação homem/natureza.

Com a Revolução Industrial, que teve inicio na Inglaterra, começa então o fenômeno de produção em massa.

1.     Surgimento das indústrias;

2.     Os trabalhos que eram feitos geralmente em casa, passam a acontecer longe do lar e da família;

3.     A dignidade do ato de criar é substituída por processos repetitivos de trabalho;

4.     Maior necessidade de lucro + Maior necessidade de ganhar para consumir + aumento da produção em massa = maior impacto no uso da natureza e um processo de escravização do ser humano;

Com o fenômeno da produção em massa passamos de mordomos da terra para algozes vorazes e impiedosos. Porém, para a infelicidade humana aquilo que foi nos dado para nossa dignidade é usada para retirar de nós esta mesma dignidade.  O escritor Richard Sennett afirma: “Imaginar uma vida de impulsos momentâneos, de ações de curto prazo, destituída de rotinas sustentáveis, uma vida sem hábitos, é imaginar, de fato, uma existência sem sentido”.

A vida orientada pelo TER rouba de nós sentido, contentamento, alegria, nos torna escravos dos nossos próprios desejos que nunca conseguem ser satisfeitos, pois eles se retroalimentam e nesse loop infinito vemos a nossa dignidade escapar por entre os dedos, ás vezes sem darmos conta deste mal autoinfligido.  Além disso, alguns acumulam mais do que precisam, não se preocupam em repartir e assim lá se vai a dignidade daquele que fica sem nada.

Na nossa relação com a natureza precisamos: primeiro entender, com urgência, que D-us é o dono de tudo e a Ele devemos prestar contas do uso que fazemos deste presente cheio de vida, amor e carinho que o criador nos concedeu. Segundo, precisamos repensar o uso da natureza e modificar os nossos hábitos de consumo para que possamos (se isto nos interessar) deixar um vestígio de planeta para as futuras gerações, inclusive nossos filhos e os filhos de nossos filhos, etc. Terceiro, precisamos aprender a dividir, sermos mais cidadãos e menos indivíduos, acumular menos e repartir mais.

Parece um papo utópico, eu sei. Porém, se há algo que carecemos e que perdemos, é a utopia. Precisamos voltar a sonhar com um mundo como D-us quer. Um mundo onde “nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de D-us”.

Abraços,

Ezra Oliveira.


Um comentário:

Ticva (Talmid) Silva disse...

É interessante como o próprio homem tem a tendência de criar suas próprias "desgraças". Digo isso pois a usura e os desejos do homem/animal por dinheiro e sucesso sempre foram prejudiciais para os 99,999% restantes. É o que diz a frase:"A injustiça só dói no injustiçado!"

Abraços e até a próxima!